História

Breve Histórico do Maracatu de Baque Virado

O Maracatu de Baque Virado é uma manifestação da cultura popular pernambucana afro-brasileira que surgiu em meados do século XVIII. Sua origem remete a tradição católica de realizar uma cerimônia de coroação entre os escravos trazidos da África de um líder denominado – Rei de Congo, tal ritual era acompanhado por ritual que tinha uma parte administrativa e outra, festiva, com teatro, música e dança. Com o tempo, a parte administrativa foi sendo eliminada, permanecendo apenas a musica e as danças próprias para homenagear a coroação do Rei de Congo. É público e notório o fato que o sincretismo entre o catolicismo e as religiões de matriz africanas foi uma estratégia de resistência utilizada pelos afrodescendentes para preservar suas características culturais e religiosas nos tempos de opressão oficial.

No inicio do século XX ocorreu à proibição do culto religioso de matriz africana no Brasil, qualquer manifestação nesse sentido era violentamente reprimida pelas autoridades em todo território nacional. Neste cenário, o Maracatu de Baque Virado por sua origem católica ficou a salvo do preconceito oficial, sendo utilizado como subterfúgio para que os afrodescendentes continuassem a exercer sua fé, já que era proibido o toque dos atabaques proibido, os lideres religiosos utilizavam os ensaios abertos de suas nações de maracatu para dar andamento a suas atividades religiosas.

Mas foi na década de 1990 que a manifestação ganhou força, o movimento mangue beat concedeu não somente ao maracatu de baque virado, mas a diversas outras manifestações da cultura popular pernambucana um novo status social, o que permitiu um fortalecimento da mesma. A partir de então as nações de maracatu iniciaram o período de reafirmação enquanto patrimônio e identidade cultural povo de Pernambuco.

Essas, entre outras características tornam o Maracatu de Baque Virado um meio de comunicação transdisciplinar com os alunos, uma vez que a aula espetáculo visa não somente difundir a linguagem artística, mas também para disseminar os conceitos de resistência cultural, de igualdade de gênero, de tolerância sexual e tolerância religiosa a envolver essa manifestação cultural, elevada a patrimônio imaterial do Brasil no ano de 2014.

 

História do Maracatu Almirante do Forte

O Maracatu Nação Almirante do Forte, fundado em 07 de setembro de 1931, é uma das mais antigas em atividade ininterrupta no estado de Pernambuco, sediada na comunidade do Bongi, zona oeste da cidade do Recife. O maracatu tem forte ligação com a jurema, sendo D. Menininha, entidade representada por uma das calungas (bonecas do grupo), a dona e zeladora espiritual da nação

Seus fundadores foram os irmãos Severino Grosso e Mané Grosso, oriundos da cidade de Carpina, localizada na Zona da Mata Norte do estado, região conhecida como “terra dos maracatus de baque solto”. Ao chegar à capital pernambucana, no inicio do século XX, os irmãos Grosso mantiveram a tradição familiar de brincantes de maracatu, e foram fazer parte dos desfiles e apresentações do Maracatu Rural Cruzeiro do Forte (Baque Solto).

Em 1931, Severino e Mané se tornam dissidentes e resolvem criar outro maracatu, e para dar o nome a esta nova agremiação foram a Capitanias dos Portos do Recife, escolhendo ALMIRANTE graças ao navio com o mesmo nome, que estava atracado no cais naquele momento.

Assim, surge o Maracatu de Baque Solto Almirante do Forte, cuja primeira sede estava localizada na Avenida do Forte, bairro da Iputinga, Recife. Anos mais tarde, sua sede foi transferida para a Estrada do Bongi, onde se encontra até os dias atuais.

A história do Maracatu Almirante do Forte tem um aspecto peculiar, que o distingue das outras nações de maracatu de baque virado, já que em 1960, por determinação da Fundação de Cultura da Cidade do Recife e da Federação Carnavalesca de Pernambuco teve sua Calunga batizada no rito Nagô com o nome de Dona Menininha e com isso o Maracatu passou a ser “Nação”, seguindo o rito Nagô e passando de baque solto para Baque Virado.

É importante não esquecer que essa mudança de atingiu outros maracatus de baque virado, a exemplo do Cambinda Estrela e do Indiano (extinto), e que ainda se deu por pressão das entidades supracitadas, os motivos alegados era a política de impedir que os maracatus de baque solto desfilassem pelo Recife, pois eram considerados de menor valor cultural. Isto sem falar no medo e preconceito que os cablocos de lança despertavam.

Nos últimos anos, sob a tutela do Mestre Teté, o MARACATU NAÇÃO ALMIRANTE DO FORTE vem passando por um processo de transformação, tendo ampliado a abrangência das suas ações de promoção da cultura popular e de inclusão social, sobretudo após a obtenção do titulo de Ponto de Cultura, concedido pelo Ministério da Cultura e pelo Governo do Estado de Pernambuco.

Bibliografia

  • ALBUQUERQUE, Aline Valentim. As nações de maracatu de Recife e o maracatu do Rio. Algumas reflexões sobre tradição, ressignificação e mediação cultural. Rio de Janeiro: UERJ, dissertação de mestrado em Ciências Sociais, 2005.
  • PEIXE, César Guerra. A influência africana na música do Brasil. In: MOTTA, Roberto (org.) Os afro-brasileiros. Anais do III Congresso Afro-Brasileiro. Recife: Massangana, 1985, pp. 89-104.
  • PEIXE, Guerra. Maracatus do Recife. Recife, Prefeitura da Cidade do Recife/ Irmãos Vitale, 1980, 2ªedição. [1955].
  • PEIXE, Guerra. Origem político religiosa do maracatu. Notícias de Hoje, São Paulo, 20/10/1957.
  • REAL, Katarina. Eudes : o rei do maracatu. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, Editora Massangana, 2001.
  • REAL, Katarina. O folclore no carnaval do Recife. Recife, Fundação Joaquim Nabuco – Ed. Massangana, 1990, 2ª ed. [1966].
  • SANTOS, Climério de Oliveira; RESENDE, Tarcísio Soares. Batuque book maracatu: baque virado e baque solto. Recife, 2005.  154 p., il. (Coleção Batuque Book – Pernambuco, v.1).
  • SETTE, Mário. Maxambombas e maracatus. Recife, Livraria Universal, 1981 [1938], 4ª edição aumentada.
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